Aviso: Esta é uma história totalmente infame, para ler ouvindo Belchior - Hora do almoço.
Quando era criança, o sonho do garoto era ser marinheiro. Por algum motivo, entretanto, foi rejeitado (e, se prestasse atenção nas aulas de biologia, saberia que "bissomia do cromossomo 21" era apenas uma desculpa esfarrapada).
Na escola, ele costumava se sentar perto da janela, para poder ver o mar. Assistiu, diversas vezes, o mar levando as folhas embora, o mar subindo, o mar descendo. Um dia, enquanto descia as escadas, esbarrou em o mar:
- Olha por onde anda, guri! – respondeu Omar, o jardineiro da escola. Foi desta forma que o garoto perdeu um de seus grandes heróis de infância.
Não passou no vestibular. Não fez cursinho. Aos dezenove, arranjou emprego como garçom. Começou a trabalhar no Restaurante do Mirante, um lugar que, além de ser uma cacofonia, era a única churrascaria da cidade. O dono do restaurante (que, por ironia do destino, também se chamava Omar) foi diversas vezes aconselhado a mudar o nome do estabelecimento, mas, por um pouco de vaidade, recusou a idéia.
O nome, alias, era dedicado a localização do restaurante: ficava perto da praia, onde havia um mirante. O mirante, construído na época do Império, era pouco freqüentado por ser considerado assombrado. Ainda assim, corriam soltos boatos de homens se encontrando durante a noite para rituais de pouca, ou mesmo nenhuma, moralidade.
Um dia, Omar (o patrão) anunciou a todos para se prepararem para receber um ilustre freguês. O único cidadão da cidade que, anos atrás, foi admitido na marinha nacional. Ele passaria pela cidade em seu navio e faria uma visita. Antigo freguês do Mirante (tanto o restaurante como o local), o marinheiro já havia confirmado onde teria o prazer de almoçar.
O garoto, que há muito era fã do marinheiro, naquele dia não conseguia parar de pensar no almoço. E, quanto mais o meio dia se aproximava, mais ele se posicionava perto da porta, na esperança de ser o garçom que atenderia o marinheiro. Quando ele finalmente surgiu por entre as portas, o garoto se aproximou e, gaguejando, perguntou:
- A-almoço?
- Para você é Almirante Moço!
E o garoto foi, e nunca mais voltou.
2009/02/11
Jogo de palavras
2007/01/17
Contos jvk de praia: O doceiro (conclusão)
Para finalizar o lendário caso do Doceiro, basta saber que, uma meia hora depois dele ter-nos visto em uma situação, digamos, cabeluda, Norton e eu nos dirigimos para o mini-mercado para comprar suprimentos não-alcoólicos. Saímos de lá com oito garrafas de refrigerante dois litros, duas em cada mão, duas mãos por pessoa (2x2x2=8, pra quem não sabe).
Caminhavamos tranquilos para casa quando Norton, com a canela raspada, viu o Doceiro caminhando em nossa direção, após alguma venda de doces bem (ou mal, nunca soubemos) sucedida. Norton ergueu a mão para cumprimentá-lo e, consequentemente, as garrafas. O Doceiro, vendo aquelas crianças de novo, exclamou, ao ver as bebidas:
- Mas já era hora heim!
Em seguida apertou o passo, caminhando em uma direção desconhecida, para nunca mais ser visto novamente, deixando nove pessoas impressionadas pela acusação de "bêbado". Fama que se confirmaria anos mais tarde.
Parte 1 Parte 2 Parte 3
2007/01/15
O doceiro (parte 3)
Cassiano, nosso neoliberal e pré-emo de plantão, mudar-se-ia com a família para a distânte e colonial cidade de Curitiba. Uma vez lá, cursaria Relações Internacionais na Universidade Tuiuti. Poucos dias antes da nossa viagem, o sobrinho do Bin Laden nos encontrou em Passo Fundo com a notícia de que fora aprovado no vestibular. Terror.
Viu seus amigos com os cabelos raspados e se assustou. Ainda mais quando João Werner se aproximou dele com a máquinha de tosar ovelhas, digo, cabelos. Quase chorou ao nos implorar que deixassemos suas madeixas lavadas a base de gel em paz. O motivo que nos apresentou foi simples: encontraria Emanuelle, a mulher mais feia do mundo, em Capão. A desculpa não convenceu a Paula, que entrou no carro do Norton, catou uma tesourinha de criança, dessas que nem papel corta, e pôs-se a correr atrás do Cassiano, que fugiu em direção à saída da cidade. O local era o Ipiranga que, devido à nossa influência (modéstia a parte), viria a ser chamado Piscinão de Ramos um dia.
Como não voltava mais, Norton achou certo encontrá-lo e saiu de carro atrás do amigo. Por precaução, levou a Paula junto – com a tesoura. Cassiano voltou pouco tempo depois, dizendo que apenas dera a volta na quadra. Mas a hipótese mais aceita é que teve seu bombom violado naquele curto espaço de tempo.
Outro que não teve o cabelo cortado foi o próprio Norton, mas não por causa de frescura, e sim pelo reconhecimento pelos anos que ele passou cuidando da juba. Pesava na balança o fato dele ter passado para Música. E não-cabeludos na FAC tendem a ser discriminados. O espectro da discriminação viria até ele na praia mesmo, na forma de Bob Marley, o negão, mas essa é uma outra história. Como condição para ter seu cabelo deixado em paz, Norton concordou em ter suas pernas depiladas.
Destarte, a cena era a seguinte: na frente da casa, Norton estava com a perna direita em cima de um banco. A sua frente, João Werner, com a máquina digna do exército, raspava lenta e (por que não?) sadicamente seus pelos. Para aguentar a dor (psicológica, claro), só os copos de caipira que o cercavam. Então Norton olhou para o lado, procurando uma visão menos assustadora. Seu olhar vagou pela rua, fixando-se no portão da casa, onde se encontrava ninguém mais, ninguém menos que o Doceiro.
A recepção ao cordial vendedor de doces foi um pouco diferente desta vez. Tratamos ele com cortesia, claro, só que não compramos doce algum. Insatisfeito, o Doceiro ainda tentou nos convencer, mas foi vencido por um argumento visual mais forte: as pernas depiladas do nosso amigo cabeludo, cercada por copos e copos de Garoa. O que antes deveria ser uma hipótese remota agora já deveria ser um pouco mais certo no imaginário do Doceiro: na melhor das hipóteses, ele estava na presença de uma casa bêbada (e isso em uma época remota onde não existiam nem andains nem a Casa). Na pior, era apenas um reduto de homossexuais. Para piorar a nossa situação perante o honesto (porém assustado) homem, Norton comentou, ao perceber aquele olhar incrédulo mirando suas pernas nuas:
- É a última moda depilar uma perna, quer que façamos na tua?
E o Doceiro, certo da homossexualidade do menino a sua frente, respondeu um "não, obrigado" seco e se mandou, apenas para aparecer meia hora mais tarde, nos dando lição de moral.
Parte 1 Parte 2 Parte 4
2007/01/12
O doceiro (parte 2)
A chegada na casa veio com festa, pois a primeira coisa que fizemos foi ver Cassiano correndo em direção ao quadro de Iemanjá e tapando-o com uma camiseta do Sepultura, enquanto gritava:
- Desculpa Iemanjá, mas serás substituída por uma divindade de verdade. – Ou algo assim. Mal sabia ele que a deusa dos mares o observava buscaria vingança.
Enquanto isso, Norton e João Pedro abriram suas mochilas (e a de todo mundo), decidindo que, se era para manter um culto religioso, que fosse reverenciado aquele que realmente merecia: o álcool. Então colocaram em cima de um balcão todas as em torno de dez garrafas de Caninha Garoa que trouxemos de casa e, alegres e contentes, se prostraram diante delas gritando "salve a Garoa" ou outras frases de ampla religiosidade. A euforia logo contaminou a todos, que também adoraram o falso ídolo. Menos Cassiano, é claro, que como todo neoliberal, prefere adorar bandas de metal.
Após uma sessão contínua de ampla adoração, João Pedro não resistiu e se jogou numa parede, sentando no chão e rindo muito. O que deixou Norton irritado. "Não ironize nosso culto!", disse, obviamente usando termos mais sujos. João Pedro não disse nada, apenas apontou com o dedo para a porta da casa, onde se encontrava um senhor cuja aparência não foi registrada pela história, salvo seus aparentes 40 e poucos anos e a pele ressecada. Trazia nos braço incontáveis quantidades daquelas caixas cheias de doce que o pessoal da praia vende de casa em casa. E aquelas coisas são realmente deliciosas. Por esses e outros motivos, recebeu a curiosa denominação de Doceiro. E é sobre ele que se trata essa história.
A característica mais marcante do Doceiro, como já foi frisado, é que ele vendia doce. O que é justificável, pois se ele vendesse sorvete, ficaria conhecido como Sorveteiro, se vendesse pesca, seria Pesqueiro, se vendesse redes, seria a cigana e se vendesse o corpo de belas mulheres menores de idade a preços acessíveis seria certamente convidado pra um churrasco. Independente da profissão, pode-se afirmar que o Doceiro provinha de uma família tradicional cristã e respeitava com toda sua fé os valores da ética, moral e bons costumes. Isso ficou claramente observável pela cara de extremo horror que ele fez ao perceber a imoralidade da cerimônia pagã de adoração ao álcool que aquele bando de jovens inconseqüentes fazia olhando para garrafas e garrafas de cachaça.
Como o líder nato que (não) demonstraria ser na viagem (e também por ser entre nós o mais velho), Norton correu até o portão da casa e começou a conversar com o Doceiro. Descobriu que ele vendia doces (o que todo mundo, a essa altura, já tinha percebido) e, mais importante ainda, quanto eles custavam. O pessoal, para não ficar naquele binômio de cerveja e destilados, comprou um pouco de glicose, acompanhada dos doces. A espressão do Doceiro se alterou várias vezes no tempo que ele passou nos vendendo seus doces, sem nunca perder aquele quê de reserva, afinal estava se envolvendo com adoradores do álcool.
Assim sendo o Doceiro terminou suas lucrativas vendas e se dirigiu a outra casa – em uma velocidade um pouco maior do que seria recomendada para uma pessoa carregando caixas. Não sabemos se ele foi para casa comemorar as vendas, se foi para casa se recuperar da cerimônia que presenciara ou se ignorou tudo aquilo e foi vender mais doce por aí, mas apostamos na segunda hipótese. O fato é que, ao contrário do que todos os oráculos do mundo pudessem prever (e olha que Iemanjá estava contra nós), no dia seguinte o Doceiro voltou.
Parte 1 Parte 3 Parte 4
O doceiro (parte 1)
O mês de janeiro do ano de 2002 começou com agradáveis surpresas para nove jovens estudantes recém saídos do segundo grau. Cinco deles passaram no vestibular aquele ano, enquanto os outros também tinham motivos particulares para se sentirem felizes. O destino dessas pessoas de ideologias diferentes mas com um passado em comum era óbvio: a praia.
Na bagagem, levavam tudo aquilo que adolescentes de 17 anos precisam: álcool. Em direção à Capão da Canoa, naquela que seria conhecida como a famosa casa de praia da vó do Kurtz. E eu, como recém aprovado para o curso de Ciências da Computação, não poderia estar mais feliz. Saímos de Passo Fundo numa manhã de quinta-feira, após uma noite mal dormida assistindo Forrest Gump e um seriado ao estilo Power Rangers medieval cujo nome se perdeu nos anais do tempo. Como a única pessoa que gosta disso é o Sikora, dá pra imaginar a qualidade (Q.E.D.).
Porto Alegre nos recebeu de braços abertos perto das 11 horas da manhã. A rodoviária nos traria duas surpresas. A primeira delas, que nem era tão surpreendente assim, era a Tiane, irmã do Norton (nosso cabeludo e músico de plantão), que fora encarregada de comprar nossas passagens para Capão da Canoa, assim não arriscaríamos ficar sem passagens ou ter de deixar alguém pra trás. O que, pensando bem, seria extremamente divertido. A segunda surpresa era ninguém menos que Robson, um homem tão frio que causa inveja em Ikari Gendou. Robson, também conhecido como Mansion-sensei (em referência ao dr. House), estava na capital em uma merecida semana de férias pós-vestibular e naquele momento se dirigia para a plataforma 26 para pegar o ônibus de volta para casa. Perguntado sobre a sensação de encontrar metade da antiga turma de segundo grau 310km de distância da escola (pelo menos metade de quem presta), Robson respondeu:
- Qero matar todos por não estar indo junto.
Os eventuais erros de ortografia e concordância verbal provam sua raiva reprimida, ao contrário da cara de total espanto que fez naquele momento. Após o encontro inusitado, entramos no ônibus que nos levou à praia para mais um encontro não planejado, embora amplamente agitado: ao lado de Geison, sentou-se uma menina pouco mais jovem que ele, e muito feia (não tanto quanto à do Cassiano, mas vamos a ela em outra hora), com a qual ele passou a viagem inteira trovando conversando.
Em Capão da Canoa, chovia. Não aquela chuva torrencial característica das praias e sim aquela chuva de verão que geralmente acontece no... verão. Por sorte, outra pessoa inusitada apareceu: era Valmir, que estava com a família na praia e apareceu de surpresa para ver... o Gonzalo. Aproveitando a deixa, ele deu carona para o amigo, para o dono da casa (eu) e para as bagagens que couberam no seu carro. Como Cassiano e João Pedro conheciam o caminho, não foi difícil para eles guiarem o resto do pessoal para a casa, assim como pastores guiam ovelhas (e nesse sentido, não resta dúvidas que, se estivesse entre nós, Robson seria a ovelha negra).
Parte 2 Parte 3 Parte 4
2006/12/28
Contos jvk de praia: O neoliberal e a quiromante
(uma história verídica)
Depois de uma noite parte cansativa e parte relaxante, Geison sentou-se na rede e começou a tocar seu violão. As nuvens desapareciam no céu do meio dia (passado) e o sol ameaçava aparecer. Sempre chovia quando iamos para a praia, mas a onipresente Bola Amarela Desgraçada sempre dava um jeitinho de aparecer com um sorriso amarelo (uma bola amarela tem sorriso amarelo, sacaram?) um dia antes de irmos embora, prometendo mais e mais dias de sol para aqueles que ficassem.
No outro lado da quadra, caminhava uma senhora de aparência peculiar. Vestia roupas típicas de cores claras, que cobriam todo o seu corpo moreno, de aspecto envelhecido, baixa estatura e considerável largura. Ainda não era tão anciã quanto se tornaria a partir daquele dia, mas pode-se dizer de fato que era uma cigana. Trazia nos braços redes para vender e ao lado um filho com uma... bem, não vamos estragar a surpresa. O tal filho é adulto e não tem participação ativa na história. Nem sabemos se é filho mesmo, podia ser o marido, o amante, o pai, sei lá. Não convém se meter na vida alheia.
O fato é que a cigana perambulou pela vizinhança oferecendo seu produto artesanal para deus e o mundo. Ninguém comprou, provavelmente, e ela finalmente chegou em nossa casa. Geison olhou para a figura decrépida, que com ele conversava num portuñol ainda mais depreciativo. Sem saco para aguentar aquela vendedora ambulante, Geison fez o óbvio: chamou Cassiano. Nosso neoliberal de plantão naquele momento devia estar em um de seus intermináveis banhos de produtos de beleza (no quarto dele haviam 10, mais a vaselina que escondemos junto) ou na cozinha, chorando as mágoas de ter seu queijo especial ultra-caro alimentado Herege, o cão sem fé nem lei.
Cassiano respondeu ao chamado do amigo em pouco tempo. Não precisou perguntar para saber o motivo de sua invocação: ignorou Geison e caminhou rapidamente em direção à cigana, que o recepcionou com palavras exóticas que traduzimos diretamente do portuñol:
- Não gostaria de comprar uma rede?
- Não minha senhora – respondeu Cassiano, em um espanhol tão perfeito que as espanholas que vêm da Espanha se derreteriam por ele (e que também traduzimos).
- Então deixa eu ler tua mão! – respondeu a cigana, segurando com força a mão de Cassiano.
- Ao invés disso, gostaria que a senhora me contasse como vão as coisas com os clãs de ciganos na Espanha. – No original, Cassiano citou os nomes dos clãs, mas eu não lembro.
- Mas deixa eu ler tua mão!
- Está bem! Eu deixarei! Mas saiba de antemão que não acredito nisso!
Cassiano estendeu a mão em direção à cigana, que prontamente a segurou. Passou o dedo nas linhas da mão do neoliberal, exclamando ocasionais "oh" e "ah" de vez em quando. Depois de uma rápida análise, disse com um tom misterioso:
- Eu vejo que você é uma pessoa que passou por muitas dificuldades, mas superou elas. Você vai ser uma pessoa feliz, mas mesmo assim terá tristezas no seu futuro.
Os olhos de Cassiano se encheram de, digamos, sensações. Ele olhou para a cigana e disse:
- Mas cigana, isso é óbvio! Eu não preciso que ninguém leia minha mão para saber dessas coisas! Tu é uma falsa cigana que faz isso só pra conseguir dinheiro das pessoas!
A cigana se assustou e ameaçou dar um passo pra trás, mas estava atônita. Cassiano, ainda em espanhol, enfiou a mão no bolso e de lá tirou algumas moedas. Agora foi a sua vez de puxar a mão da cigana, para nela colocar o dinheiro. Continuou:
- Sabe cigana, se tu queria o meu dinheiro, não precisava ficar inventando histórinhas pra me enganar. Tá aqui ele ó. Era só pedir!
Nesse momento, a cigana realmente se assustou. Seus olhos se esbugalharam e ela começou a falar coisas sem nexo, em alguma língua que não era mais português, espanhol, o falso portuñol ou mesmo esperanto, que não tem nada a ver com a história. Cassiano ameaçou a cigana com frases no estilo "nem teu espanhol presta!" e ela por sua vez jurou que ia mandá-lo para o inferno. Então correu pelo meio da rua, enquanto Cassiano erguia as mãos ara o céu e recitava em voz alta suas rezas exóticas que aprendeu lendo alguma versão metrossexual do Corão. A pobre cigana, em prantos, atravessou a rua e se refugiou em uma belíssima camionete vermelha, onde estava seu parente anteriormente mencionado. Cassiano a perseguiu durante esse trajeto, rindo e recitando entusiasmado suas rezas. O carro partiu logo depois, levando consigo uma mulher que ganhou alguns anos a menos de vida num encontro de cinco minutos e deixando para nós um orgulhoso neoliberal, que voltava de sua batalha verbal com um sorriso triunfante. Enquanto isso, no resto da casa, todos nós já haviamos sido invocados para assistir a cena teatral de Cassiano, que então nos contou com pormenores a narrativa acima.
Nunca mais veríamos a cigana, embora suas ações pudessem ser sentidas em determinados momentos de nossas vidas, como da vez em que eu fui no Zaffari Vergueiro e vi uma cigana numa camionete igual à da praia, talvez caçando nosso amigo laranja, sem saber que hoje em dia ele mora em Curitiba. A presença dela também foi sugerida em determinadas oportunidades, como em nossa estadia no Fórum Social Mundial. Ainda assim, o maior pesar dessa história toda é do próprio Cassiano: "Cara, se eu tivesse lembrado, certo que dançava o haka no meio da rua!".