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2008/10/28

Lar, doce lar

Acabo de fazer uma visita a um dos pátios aqui de casa. Fiquei por lá menos de 30 segundos, o que me foi suficiente para perceber o calor que está lá fora. Não saber o clima é uma das desvantagens de morar em uma casa com temperatura fixa.

A vantagem, claro, é que dentro é sempre fresco (ui). Isso graças ao grande visionário que era meu avô, que construiu essa casa com paredes grossas e outras técnicas absurdas de construção, cuja natureza eu nem penso em contemplar, mas que deixam um gordo nerd recluso como eu a vontade em quase qualquer época do ano.

Considerando que quem constriu essa casa foi meu tio, o parágrafo acima faz pouco sentido. A construção, mesmo assim, guarda um passado negro: foi, nos anos 60 ou 70 (não sei), um local de torturas (consultório de dentista). O que não isenta a responsabilidade do grande visionário (e repito isso propositalmente) que foi meu avô. Ele faleceu no início do século (2001 ou 2002, esse tipo de data me escapa), o que não o impediu de causar a morte de uma ou duas pessoas alguns anos depois (sério!). Mas essa é uma história para outra hora. A lição que fica é que meu lado sanguinário vem de família. E nenhum homem, em sua calma e tranquilidade sem igual, era mais assustador que meu avô.

O legado dele, já frisei, foi esta casa. Construída, estranhamente, pelo meu tio. O único homem que conhecia os complexos segredos do emaranhado de fios e da tubulação. A arte secreta foi transmitida, pouco antes de sua morte, ao meu pai.

E até hoje, quando alguém precisa subir até o sótão com objetívos eletricistícos, é ele que, mesmo morando fora, se obriga a vir aqui e guiar a pessoa pelo complexo acima das nossas cabeças. Meu pai não me transmitiu os segredos da casa. Possívelmente porque eu pouco me interesso: prefiro aprender o lendário segredo do pudim da vó.

Claro que isso são só e somente conhecimentos tecnicos. Segredos e verdades ocultas, posso garantir que sei mais que meu pai. Afinal, ao contrário dele, já utilizei a casa para coisas mais assustadoras que a mera mente humana pode contemplar (que exagero!). Só para citar: uma vez até um ritual de invocação foi feito aqui. E não me refiro ao demônio sarcástico: aquele trouxe muitos outros problemas.

Certa feita, como bem poderá lembrar o Portela, até uma vela foi acendida. Mas a maior de todas, que também envolve o Portela, foi uma noite em que nadamos às escuras (a Nati sabe bem o porquê). E como (quase) tudo o que aconteceu envolve o Senhor do Metal, também há a história do maiô. Mas essa já é de domínio público.

E teve uma vez, no final de 2001, em uma janta de despedida, onde um colega proferiu as seguintes palavras de desespero:

Zeh: Socorro, estou preso no canil!

Minha casa não tem áreas secretas como a do Robson, muito menos a mesma quantidade de banheiros (perde por um). Mas já aconteceu bastante coisa por aqui. Considerando que a minha irmã também fez muita festa por aqui, prefiro parar de pensar no assunto.

Mas por mais que meu pai, minha irmã e eu saibamos coisas, ninguém, repito, ninguém explorou mais o terreno que nossos cachorros. Se tem alguém que anda por aqui de olhos fechados, é a Gaby.


(João Vicente Kurtz acredita do fundo do coração que a Gaby, suprema matriarca da casa, será a próxima receptáculo dos segredos da construção. E ela vai enterrar todos nós – alguns, literalmente)

2008/10/22

Eu confesso!

Essa é uma história de antes do Sexteto Sinistro. Na verdade, essa é uma história bem mais antiga que qualquer história que nós possamos contar. Mais velha até que o clássico "Marau tem luzinha", que tanto nos deixou felizes por todos esses anos. A única coisa mais velha que essa história é a piada original do bicicleteiro, mas essa é tão ruim que não há motivos para reproduzí-la aqui.

Essa é uma história da época que o Sikora freqüentava um fórum de Buffy e era, provavelmente, mais tapado que hoje em dia (e vai querer me matar ao ler isso).

Não que eu fosse diferente, claro. Era o auge dos nossos 17 anos - e só nós sabemos como eramos infantis naquela época (pessoas que serão citadas mais pra frente, não se enganem: falo aqui apenas de mim e do Sikora).

Mas e daí? Era uma época sem faculdade, sem compromisso, sem jornalismo e sem Tom Cardoso. Nossa golden age. Bom e velho Norton, no verão de 2002, foi quem proclamou:

- São os melhores três meses de nossas vidas. Terminamos o ensino médio e vamos começar a faculdade. Temos a glória dos formandos e a espectativa dos universitários. E, nesse meio tempo, a responsabilidade de nenhum. [ou algo assim]

Pois bem, chega de nariz de cera. Era o final de 2001. O vestibular estava ai, a ADSL não. E minhas tardes de quarta-feira seriam sempre marcadas por horas ininterruptas de internet discada, com a conta telefônica sendo motivo de broncas paternas mês após mês. Onde eu passava horas intermináveis é a pergunta. E a resposta é uma só:

Eu confesso!

Também tenho um passado de fóruns. Mas o meu fórum não era um fórum capenga quanto os fóruns da Buffy, viu Sikora! Claro que não. Era muito melhor. Meu passado, embora negro, não é negro. É por isso que anuncio com todo orgulho que participava ativamente do extinto fórum pokémon do site da Nintendo.

Foi lá que cultivei algumas amizades importantes que, devido a alguns problemas de agendamento da vida, acabei por perder. A minha sorte é que o pessoal, mesmo depois de anos, resolveu se reunir de novo. Alguns dos membros estão catando informações e msn do pessoal das antigas para um revival.

Ao pessoal daquele tempo com quem tive o privilégio de trocar palavras nos últimos dias (mais precisamente o matto e o Líder Entei), um abraço.

E para o pessoal que se perdeu na vida (nomes como mbn, youngster, bkon, Elite Trunks, Dick e outros que não estão nos logs), espero que mais cedo ou mais tarde possamos nos encontrar. Para este fim, criamos até uma comunidade no orkut para facilitar. E vida longa aos pokémons (menos aos pikachus, que deveriam ser todos assados em um grande churrasco de caridade).

Por algum motivo, acabei guardando um backup da jvk's pokémon homepage, tida por muitos daquela época como uma das melhores páginas sobre pokémon do Brasil. Coloquei ela online de novo para efeitos de nostalgia.

E que nostalgia!

P.S. O EliteTrunks foi o único que me venceu na PBS. Então não se sinta mau por perder miseravelmente, Sikora!

2008/08/25

Good times, bad times

(Música recomendada para leitura: Led Zeppelin, a do título)

É tarde de segunda-feira, a contagem do relógio me aproxima dos dias mais turbulentos da semana (a saber, das 19h de segunda-feira até o meio-dia de quarta). Me levanto, sentindo os horrores de uma dor-de-cabeça tripla (que nem o mais bravo dos remédios conseguiu curar), provavelmente o resultado de um fim-de-semana mal dormido. Vou ao banheiro e preparo um banho.

Ouço vozes das crianças brincando na creche ao lado, um lugar que um dia chamei de lar (e que era bem mais interessante que o atual, diga-se de passagem). Da janela do box, pode-se ver além dos muros da casa, um escorregador. Penso comigo: quem é o sádico que colocou um escorregador para crianças em frente a uma janela de banheiro? Mais de uma vez me peguei sendo observado por crianças aleatórias, me obrigando a espantá-las com um olhar maligno. Se carma realmente existir, essa pessoa vai morrer de forma horrível. Sempre dá certo.

O som das vozes das crianças permite entender um pouco o que está acontecendo do lado de lá. Ainda mais porque, 20 anos atrás, eu próprio fazia as mesmas coisa, no mesmo local. A tia da creche (na falta de outro nome) surge da porta que, na minha época, era uma lavanderia. Ela trás consigo uma caixa de brinquedos e a coloca no chão. As crianças se aproximam. Uma delas tenta arrancar o brinquedo de outro, mas é repreendida pela tia:

- Esse é dele! Pega outro!

Nova correria. Fico imaginando como seriam os churrascos com os amigos, as noites de videogame, cartas e detetive. Não teria piscina, isso é certo, mas seria algo ruim? O lugar onde ela ocupa antigamente era um pomar assustador, controlado pela minha vó e com uma árvore de frutinhas gostosas, cujo nome não lembro. Ela ficava na borda da piscina e foi com muito pesar que a assisti sendo derrubada quando a casa foi reformada. Juro que tentei convencer meu pai a mantê-la. Hoje confesso que era uma idéia absurda, mas ainda assim interessante. Quero minha árvore de volta.

- Sai daí que o sol tá quente! - gritou a tia da creche.

Eu, que no momento voltava do outro banheiro com a toalha, só tive tempo de pensar o clássico "what the fuck" e entrei no banho. Pouco tempo depois, o que restava de água quente se esvaiu, me obrigando a sair. Inconscientemente – conscientemente também, merda –, eu culpava a tia pelo ocorrido. Se eu fosse uma criança da creche, certamente responderia a ela. Só não consegui decidir entre qual resposta dar, embora estivesse inclinado para o "ainda bem! Se estivesse frio eu nem tinha saído de casa". Achei mais humilhante que a resposta científica: "tia, cientistas provaram que em milhões de anos o sol vai ficar ainda mais quente e expandir, comendo tudo a sua volta". Ela não ia entender mesmo...


P.S. Na tentativa de encontrar uma foto para ilustrar essa passagem, revirei meus álbuns de infância. Fica ai a dica: se você puder, não faça isso. É assustador.

2008/07/28

Armadilha dupla

Foto: João Vicente Kurtz/MBB

(cena: Casamento do Portela. Robson está sentado na mesa, em frente ao balde de gelo e refrigerantes. Ele coloca a mão em uma garrafa de vidro com líquido negro dentro...)

Robson: Olha, como eles são espertos! Já deixam a coca aberta para chocar mais rápido!

jvk: Eu não teria tanta certeza se fosse tu...

(Robson retira a garrafa do balde...)

Robson: Argh!




O Sexteto Sinistro
Fossatti | Kurtz | Leonardo | Rabello | Robson | Sikora

2008/01/09

Os gordos e o magro

Foto: João Vicente Kurtz/MBB
Na noite de um dos melhores natais que Passo Fundo já viu, em 2005, um bando de gente estranha se dirigiu ao Show Bar Videokê, onde cantaram e riram a noite inteira. Na foto: Vininho, Tex e Portela. Detalhe: foi durante essa noite que Portela, hoje Felipe Bonato, conheceu seu grande amor, a Capitã Cachaça, hoje Natália Melo.

Seu Madruga não morreu

Foto: Robson Rottenfusser/SS
Há muito tempo atrás, três membros daquilo que um dia viria a se chamar Sexteto Sinistro encontraram, pichado em uma parede próxima aos camelôs, uma referência ao Seu Madruga. Esta famosa foto, batida pelo Robson em uma tarde ensolarada, foi a que deu início ao Deep Step Scenes, que foi considerado pela comunidade especializada como o melhor fotolog que Passo Fundo já viu, até ser apagado, sem causa, motivo, razão ou circunstância, pela equipe do fotolog do Terra. Hoje em dia, por outro lado, temos motivos para acreditar que quem pichou isso foi o Rabello.

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