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2009/07/25

O Brasil de bigode

Foto: João Vicente Kurtz/MBB
Não tire o seu enquanto o senado não tirar o dele!

Idéia original e mais aqui.

2008/10/12

Reflexos de meio mês

Após um final de semana conturbado, chega a hora de fazer mais uma revisão do que tem acontecido nos últimos tempos. Pra começar, semana passada teve eleições, um assunto que já tratamos aqui. Nas reuniões de família (e a minha mãe) comprovam que meus prognósticos eleitorais se confirmaram. Nada mais diremos sobre esse assunto, até levarmos algumas curiosidades para a câmara de vereadores e conseguirmos declarações dos próprios sobre os números da votação.

Fora isso, a monografia parece que finalmente deslanchou. Após uma agoniante espera por bibliografia nova, acompanhadas de verdadeiras aventuras às livrarias da cidade, seguida por trocas de indicações com a Ju, a pilha de livros em cima da cama finalmente começa a servir para alguma coisa. A estimativa de completação do texto é de 30% (com margem de erro gigante!), o que rendeu uma bronca do orientador: "a monografia deve estar pronta em um mês!". Estamos trabalhando nisso!

Aproveitando a oportunidade, não custa nada lembrar o aniversário de uma pessoa fez aniversário nesse sábado (a redundância é proposital!): nossa querida musa e ruiva oficial - Vanessa, a Mulher-Agridoce. A idéia era escrever um texto maior, porém uma imagem vale mais que mil palavras:


Foto: João Vicente Kurtz/MBB
Nossa musa posando para o finado podcast

Em outro tópico meio nada a ver, sinto informar que trai a mim mesmo e aproveitei o início da temporada de outono para assistir quatro novas séries de animação japonesa. A primeira seção delas se deu ontem à noite, antes da janta. Mais detalhes amanhã, quando eu e Thiago Sikora apreciarmos as séries. Espero.

Recomendação de leitura: Depois de duas semanas, um total de quatro (ou cinco?) indicações de blogs apareceram na lista. O ideal seria começar com um critério histórico, porém resolvi iniciar divulgando o blog do poeta Julio Perez. Esse link já estava na nossa lista há mais de um ano, mas o coloco aqui devido aos e-mails que temos trocado, que me lembrou a importância de nós blogueiros nos ajudarmos mutualmente. É uma pequena tentativa de unificar a emergente blogosfera passofundense. No blog pode-se encontrar poesias e contos. Comentem lá e vamos iniciar o debate!

Para terminar, aquele abraço para as pessoas que fizeram aniversário, mas não avisaram e deixaram a data passar em branco. E para aqueles que fizeram xixi no peito do Tex festa surpresa. Porque se for agradecer todo mundo que passou por aqui nas últimas duas semanas dá mais meia hora de texto:

  • Clarissa Ganzer

  • Felipe Portela (o teu abraço é por trás, porque tu tava com o anus em festa)

2008/10/06

Cinco momentos eleitorais

Foto: João Vicente Kurtz/MBB
Como é comum em época eleitoral, as ruas ficam cheias de santinhos. Quem é que limpa essa sujeira?

Foto: João Vicente Kurtz/MBB
Um fiscal da justiça eleitoral trabalhando durante as eleições. Ei, não é o Fossatti?


Foto: João Vicente Kurtz/MBB
A reeleição de Dipp é comemorada no centro da cidade com festa

Foto: João Vicente Kurtz/MBB
Mais cenas da comemoração

Foto: João Vicente Kurtz/MBB
Com 2.232 votos, o vereador reeleito Juliano Roso posa para foto com seus dois filhos. Desde quando ele sabe meu nome?

2008/08/26

2008/08/20

Hoje o dia está para lágrimas

Foto: João Vicente Kurtz/MBB

(Para ler ouvindo Neil Young - Don't cry no tears. Dica da Fabi!)

Foi um dia cansativo. Após o ensaio e a longa sessão de fotos, a banda ainda encarou uma viagem de trêm até chegarem em casa. No caminho, como não poderia deixar de ser, optaram por parar no bar.

Lá dentro encontraram garrafas e garrafas dos mais variados tipos de licores, cachaças, canhas, pingas e sinônimos semelhantes. Pediram dois copos.

A iluminação do bar era escassa e precária. Uma única luz fosforescente iluminava o ambiente, já que sua companheira, situada no outro lado da sala, há muito falecera. As vezes ensaiava uma ressureição, mas após alguns segundos piscando, novamente estagnava.

Uma faísca (desta vez, metafórica) percorreu o ambiente. A idéia veio do nada, assim como todas as idéias. O cara de vermelho (na foto, de vermelho, dã!) olhou para o dono do bar e perguntou:

- Posso tirar uma foto?

- Não, foi a resposta áspera.

- Se o senhor não deixar - retrucou -, nós vamos chorar! Porque somos uma banda emo!

Então a própria banda bateu nele.

2008/08/13

Música e futebol

Foto: João Vicente Kurtz/MBB

Uma parcela da entrevista que Pedro e Mari deram ao jornal O Nacional. Mas isso não é tudo! Graças aos nossos contatos na mídia, aguardem novidades!

Av - No contexto atual como vocês definem a cena para quem está começando agora, para as bandas novas?
Orbitantes - Acreditamos que a internet está ajudando muito, é uma ferramenta muito importante para a galera que está começando. Estamos muito preocupados em fazer uma banda que não vá durar apenas um ano, de fazer musiquinhas que passam rápido. Acredito que o que falta hoje nas bandas é conteúdo. A nossa banda se preocupa muito com isso.

Av - Quais as vantagens e desvantagens da internet no contexto atual para as bandas?
Orbitantes - Acreditamos que sejam muito mais vantagens. Você pode colocar no MySpace aqui em Passo Fundo hoje e uma pessoa lá nos Estados Unidos pode abrir a página e acessar. A vantagem, com certeza, é a velocidade com que a informação chega aos outros locais, às outras pessoas. Hoje, 95% das bandas novas são independentes. Os custos de gravação são tirados todos do próprio bolso, não tem nenhuma gravadora por trás, e isso acaba dificultando bastante.

2008/07/28

Armadilha dupla

Foto: João Vicente Kurtz/MBB

(cena: Casamento do Portela. Robson está sentado na mesa, em frente ao balde de gelo e refrigerantes. Ele coloca a mão em uma garrafa de vidro com líquido negro dentro...)

Robson: Olha, como eles são espertos! Já deixam a coca aberta para chocar mais rápido!

jvk: Eu não teria tanta certeza se fosse tu...

(Robson retira a garrafa do balde...)

Robson: Argh!




O Sexteto Sinistro
Fossatti | Kurtz | Leonardo | Rabello | Robson | Sikora

2008/06/24

Sonhos de uma noite de verão

Foto: João Vicente Kurtz/MBB
Em mais uma noite típica em Passo Fundo, as pessoas se agasalhavam para sair na rua. Ao redor, casacos, cachecóis, luvas e - surpreendentemente - aquelas touquinhas com pompons eram visões mais que comuns. No centro da cidade, o termômetro marcava 216 graus... (só se forem graus Kelvin!)

2008/02/27

Depois das Casas Bahia

Foto: CBOV
Foto da queda da construção do Bella Cittá. Embora até o momento não tenhamos descoberto quais as causas da queda ou o número de pessoas envolvidas, temos a teoria que a culpa foi do Robson, que insiste em atropelar estabelescimentos comerciais e videogames. Alias, ficamos sabendo do ocorrido por meio dele, o que só corrobora com a suspeita.

2008/01/09

Os gordos e o magro

Foto: João Vicente Kurtz/MBB
Na noite de um dos melhores natais que Passo Fundo já viu, em 2005, um bando de gente estranha se dirigiu ao Show Bar Videokê, onde cantaram e riram a noite inteira. Na foto: Vininho, Tex e Portela. Detalhe: foi durante essa noite que Portela, hoje Felipe Bonato, conheceu seu grande amor, a Capitã Cachaça, hoje Natália Melo.

Seu Madruga não morreu

Foto: Robson Rottenfusser/SS
Há muito tempo atrás, três membros daquilo que um dia viria a se chamar Sexteto Sinistro encontraram, pichado em uma parede próxima aos camelôs, uma referência ao Seu Madruga. Esta famosa foto, batida pelo Robson em uma tarde ensolarada, foi a que deu início ao Deep Step Scenes, que foi considerado pela comunidade especializada como o melhor fotolog que Passo Fundo já viu, até ser apagado, sem causa, motivo, razão ou circunstância, pela equipe do fotolog do Terra. Hoje em dia, por outro lado, temos motivos para acreditar que quem pichou isso foi o Rabello.

2007/09/22

Nesse pântano não tem perereca!

Foto: João Vicente Kurtz/MBB
Se para você isto é apenas uma escadaria, leia com urgência a página dois do Cadafalso #19!

Texto escrito com exclusividade (!) para o Cadafalso. Aqui vai o clipping.


Havia, em algum lugar dos pampas do nosso Rio Grande, uma cidade que, assim, não chegava, para ser bem sincero, a ter quase 190 mil habitantes, mas a cifra se aproximava. Esta cidade, cujo nome não convém revelar por motivos um tanto, digamos, burlescos, possuía, como qualquer outra, casas onde um homem pode passar a noite bem acompanhado (ou não) sem ter que se preocupar com atentados contra sua privacidade. Desde que, claro, observe as regras do bom senso e se lembre de pagar muito bem a sua acompanhante pelo silêncio. E isso vale para todo mundo, seja um figurão ou um miserável. A diferença é que se o primeiro não pagar para o parceiro, pode subornar a mídia depois para abafar o caso e não sair mal na fita. Já para salvar o casamento, se a mulher ficar sabendo do ocorrido, bem, a história daí é outra. Perdeu, playboy!

Em uma noite típica de verão, aquelas em que você só pensa mesmo em sentar na grama e ficar olhando para o céu estrelado sem ter que se preocupar com coisas triviais como a vida, o universo e todo resto, uma atendente de uma dessas casas de pouso, conhecidas popularmente como motel, fazia justamente isso: apoiada na janela do guichê, mirava o céu e esvaziava a mente, pensando apenas no dia seguinte quando, com a namorada, passearia por entre cenários de um sonho particular que só elas duas conseguiram sonhar. O amor é lindo.

Acontece que este relaxar solitário e quase que pornográfico foi interrompido por um carro que passava pela estrada, nas saídas da cidade. Ela não se surpreendeu por ser um carro amarelo, um tanto mais caro que o de clientes regulares do curioso estabelecimento; tampouco por ver, dentro das janelas, uma das personalidades mais influentes da cidade, este já era figurinha carimbada. O fator que causou maior impacto para a atendente foi perceber, pela primeira vez desde que começara naquele emprego, a presença de um homem ao lado do figurão. Este homem, ela não pode deixar de observar, não se vestia de homem, era mais um dos travestis que faziam ponto no outro lado da avenida, perto de uma escola primária. Da mesma forma que fora ensinada pelo patrão, nada comentou, porém fez muita força para não rir descontrolada e diabolicamente. Apenas teve certeza de uma coisa: no outro dia ia contar para suas amigas.

O carro do figurão se dirigiu ao quarto mais caro e chique daquele tal de motel. Por lá, o casal fez peripécias inimagináveis e proibidas para menores de 18 anos a noite inteira. Por sorte, ninguém ocupou os quartos vizinhos. Houvesse movimentação, a pessoa que lá estava certamente ouviria gritos horrendos e ficaria 3,14 dias sem dormir (nem mais, nem menos).

Amanheceu. A atendente não agüentava mais aquele guichê e aquela janela. O sol, aquela bola amarela desgraçada, já brilhava intensamente no céu, fodendo qualquer tentativa desesperada de aproveitar o resto da noite para iniciar uma boa noite de sono. Da personalidade, nem lembrava mais; só queria ir para casa. Olhou ao redor e viu todos aqueles quartos cheios de camas, onde ela poderia relaxar o sono dos trabalhadores, que certamente lhe causaria demissão se fosse pega lá dentro em horário de expediente. Todos aqueles quartos, aqueles quartos com camas, ao fundo, aqueles gritos histéricos... “Gritos?”, pensou assustada, e foi até lá para ver do que se tratava.

Na porta do quarto, a personalidade secreta tentava se desvencilhar do bizarro amante, que por sua vez gritava com uma voz mais grossa que a do presidente, certamente inadequada para uma mulher daquele porte, se aquela fosse uma mulher daquele porte.

A atendente acompanhou o embuste por alguns minutos, ainda ocultada pela raiva entre os dois recém-amados. O motivo da discussão era algo extremamente banal e comum, mas que todo homem que recorre aos encantos da putaria já encarou mais cedo ou – provavelmente – mais tarde: a hora do pagamento. O figurão, embriagado não só pelo álcool como também por seu bolso, se recusava a fornecer ao homem afeminado a quantia combinada.

- Chama a polícia, minha filha! – Gritou o travesti, que finalmente percebeu a atendente pasma ao seu lado.

Ela correu até o guichê e, assustada, pegou o telefone e discou para o 911, pois fora criada assistindo seriados americanos. Demorou umas duas chamadas não-concluídas para se tocar que o número correto era 190. Gaguejou duas vezes, ou melhor, três vezes até conseguir explicar aos policiais o que estava acontecendo. Embalados pela singularidade do caso, apareceram em tempo recorde e três viaturas lotadas.

Cercaram os dois homens, ou melhor, o homem e o travesti, já de cassetete em punho preparados para meter o terror. O travesti avançou em cima dos policiais, gritando em alto e bom tom:

- Esse desgraçado não quer me pagar! – exclamava histérica.

Os policiais não tiveram dúvidas e perguntaram à personalidade o que diabos estava acontecendo naquela porra de lugar. O figurão tentou escapar da vergonha recorrendo à desculpa mais esfarrapada possível:

- Mas eu não sabia que era um homem!

O travesti, indignado, retrucou:

- Como não, se comi teu cu a noite inteira?

2007/09/12

Another shruberry!

Foto: João Vicente Kurtz/MBB
And then you must cut down the mightiest tree in the forest with a herring!

2007/09/02

A nova dimensão

Foto: João Vicente Kurtz/MBB
Escritor e funcionário público, Júlio Pérez não hesitou em bater de frente contra a Jornada de Literatura

Um senhor alto e calvo adentrou calmamente no Circo da Cultura na noite de quinta-feira. Ele se dirigiu até a praça de alimentação, mas não foi lá para comer, nem para comprar imóveis (o que, se tivesse feito, seria pessoa mais deslocada do recinto). Acompanhado de um amigo, carregou uma mesa e uma cadeira até o outro lado, na entrada do pavilhão onde estão expostas as gravuras de Paulo Caruzo que mostram os autores que já estiveram na JornadaONacional de Literatura em outras edições. Uma vez pronta a estrutura, abriu uma pasta e de lá tirou vários exemplares de um livro. Decorada com relógios, a capa do Expresso instante também estampava o nome de seu autor: Júlio Cesar Pérez. Antes de se sentar, o funcionário público arriscou uma última ousadia: pendurou atrás de si um cartaz pequeno, com apenas duas palavras, mas que diziam muitas coisas: “autor local”. Com o cenário pronto, Pérez se sentou e começou sua batalha solitária contra o formato da Jornada. Mesmo acuado pela organização, não se rendeu e fez valer seu gesto, não só pelos exemplares vendidos. De sua fortaleza improvisada, protegido apenas pela ousadia e pelos amigos que o apoiavam, Pérez concedeu uma pequena entrevista aos meninos do Periódico Central.


Meu Blog Bobo: O que o senhor está fazendo aqui?
Júlio Pérez: Esse é um protesto pela falta de consideração da Jornada de Literatura com os autores locais e regionais. Nós batalhamos pela Literatura e, no entanto, em um evento dessa grandeza, não somos chamados nem é reservado um espaço para o autor local, além de outras críticas. Eu, de maneira nenhuma, quero tirar o mérito da Jornada, que acresce Passo Fundo, colocando a cidade na mídia. Mas, ao mesmo tempo em que se dá atenção ao evento em âmbito nacional e internacional, deve-se voltar ao autor local, ao que se produz na região. Já dizia Tchecov: “se quiseres ser universal, canta tua aldeia”. São 26 anos de Jornada de Literatura e eu gostaria de questionar os organizadores sobre qual escritor a Jornada pode se orgulhar de ter gerado. Qual o escritor que diz “a Jornada me inspirou a ser o que eu sou”? Leitores pode ter gerado. Leitores, mas escritor, que faz e produz arte... Então, eu estou aqui numa iniciativa pessoal. Convidei outros autores, mas por uma razão ou outra eles não tiveram a coragem de estar aqui. Não os desmereço nem os tiro a razão. Inclusive, um deles é professor universitário e até tenta imprimir seus livros pela editora da UPF, mas não tem apoio, só mediante pagamento, então...

MBB: O senhor escreve poesia?
JP: Eu escrevo poesia, mas também estou me abrindo para prosa. A poesia tem um mercado difícil e estou com um romance pronto, que já está com o editor.

MBB: É o seu primeiro livro?
JP: Sim, mas eu também tenho um blog onde divulgo as novas produções, poemas e contos. É lamentável que um evento dessa grandeza não se volte nem estimule o autor, reservando um pequeno espaço para os autores autografarem. A própria Academia Passofundense de Letras não está aqui. A pergunta que eu faço é: não existe afinidade entre eles e a Jornada de Literatura? Um dos motivos para a não liberação dos recursos da LIC foi a não liberação de uma cota de ingressos ou de ingressos subsidiados. Outra coisa: ou você se inscreve em toda a Jornada ou não se inscreve em nada, você fica excluído. Por que não dividir as palestras de forma que as pessoas possam comprar ingressos para aquelas que lhes interessam? O que está acontecendo com a Jornada? Ela está se transformando em um evento de professores, escritores, alunos e leitores, está ficando um negócio masturbatório, sabe. Pô gente, vamos trazer gente de fora! Escritor tem que ser do meio acadêmico? Tem que ser gente de fora, exclusivamente? Eu acho que não! O escritor tem que ser de fora dos muros da academia! Tragam gente de fora! Eu, por exemplo, sou funcionário público, não tenho o ponto liberado como um professor e não posso assistir às palestras durante o dia. E muitos professores que estão aqui, sem desmerecer a classe, estão só pelo certificado, pela pontuação. Fica a questão no ar. O que a gente queria, em relação ao prêmio, é que se categorizasse, com categorias como autor local, autor regional, crônicas, dando a oportunidade de outros tipos de literatura a concorrerem ao prêmio, ao reconhecimento pelo trabalho. Aí dão R$ 100 mil ao Chico Buarque. O que ele tem a ver com Passo Fundo? O cara pega o prêmio, vai embora, não deixa nada pra cidade, enquanto aqui tem muitos que estão batalhando pela cultura local. Posso citar Paulo Monteiro, onde está ele? Onde está o reconhecimento pelos lutadores desta cidade, a Capital Nacional da Literatura?

MBB: Como foi publicar a primeira obra?
JP: Foi uma emoção muito grande. A primeira obra é um divisor de águas, eu me sinto mais motivado a continuar produzindo e criando. Com a publicação, eu deixei para trás uma etapa. Eu precisava criar novamente, para o segundo livro, o terceiro. A primeira obra tem importância porque você tira os guardados da gaveta e dá ao público. Esse que é o legal: você sente a coisa começar a acontecer e isso motiva a continuar produzindo.

MBB: Qual foi o caminho até a publicação?
JP: Eu batalhei muito, tanto é que a primeira publicação foi bancada pelo meu próprio bolso. Eu tive um processo de amadurecimento muito grande, até sentir que estava pronto para publicar. Também é um desafio você sentir que está pronto para a primeira publicação, para dar ao público aquilo que você produziu até o momento.

MBB: Sobre o que são as obras? Qual a inspiração delas?
JP: Tenho muita afinidade com o existencialismo, sobretudo Kafka. Sou apaixonado por Kafka, Sartre. Procuro, na poesia, escrever de forma que o leitor entenda e perca o medo dela. Minha tentativa é convidar o leitor a se aproximar e entrar no poema. Depois que ele está lá dentro, bem, aí eu tenho as minhas surpresas. A primeira parte é o convite, o poema que começa de uma forma simples, no estilo Manoel Bandeira e outro poetas, como João Cabral de Melo Neto, porém sem o hermetismo que Carlos Drummond de Andrade tem em alguns poemas.

MBB: Como foi a decisão de se aventurar no mundo das letras?
JP: Há muito tempo eu despertei para a literatura. Inicialmente, com o gosto pela leitura, que me fez descobrir esse universo. Posteriormente descobri que o meu gosto literário tinha melhorado e comecei a sentir que eu tinha condições de produzir e criar. Eu costumo dizer que criar, escrever, na verdade, é ler por dentro, uma outra etapa. Eu incito os leitores que não se sentem encorajados: escrevam, pensem, ousem escrever! Vocês vão descobrir uma nova dimensão dentro da leitura. Abre-se um mundo, mas além desse mundo, há algo mais: há a criação.

2007/09/01

A uma divisória de distância

Foto: João Vicente Kurtz/MBB
Nas comemorações da 12ª JornadaONacional de Literatura, o jornalista e cartunista Leandro Dóro invade os estúdios da TV Pampa e rouba da geladeira um exemplar de (argh) Coca Cola Zero. Embora não fosse abertamente divulgado, os refrigerantes eram gratuitos para todos os jornalistas da sala de imprensa, o que teria economizado uma grana dos bebedores de coca-cola de plantão, eu por exemplo. Ao descobrir tamanha maravilha, olho para o responsável e digo que vou tirar o tempo atrasado e beber de graça o resto da noite. Ele concorda, talvez sabendo que em alguns minutos o pessoal da manutenção tiraria de lá a geladeira. Malditos!

2007/08/31

Ação de graças

Foto: João Vicente Kurtz/MBB
No encerramento da 4ª Jornadinha Nacional de Literatura, a escritora Marina Colasanti se encantava com a chuva de papel laminado usada com freqüência nos espetáculos. Na ocasião, Colasanti respondeu a perguntas dos jovens leitores na companhia do rapper e autor Ferréz.

Um dia antes, a escritora se sentou com a equipe do blog e uma jornalista da TV Cultura em uma conversa informal sobre eventos literários e a cidade de Passo Fundo. Em um primeiro momento, Marina Colasanti teve de ser desmentida, pois havia recebido a informação de que o município, por ser uma cidade universitária, possuía vida noturna nos sete dias da semana. Nada mais enganoso.

Sobre a própria Literatura, a escritora ressaltou o grande potencial contextualizador da Jornada em oposição a outros eventos. “O diferencial do evento em Passo Fundo é que as crianças são preparadas para as palestras desde antes do início. Existem feiras onde você vai e as pessoas nem sabem quem você é!”, ressalta.

É nesse ponto que, segundo ela, ocorre o contraste com a Jornada de Literatura. Para as crianças, as feiras são muitas vezes vistas apenas como mais uma oportunidade de sair da monotonia das aulas na escola e conseguir os brindes que são distribuídos nos eventos.

2007/08/30

Mulheres, não esqueçam seus penicos!

Foto: João Vicente Kurtz/MBB
Nas dependências do Centro de Eventos da UPF, uma fila gigantesca de mulheres se aglomerava na esperança de utilizarem o banheiro. A procura era tamanha que as tias da limpeza precisaram reservar três boxes do banheiro masculino para a mulherada. Os homens, desavisados, tomaram sustos homéricos ("bu!") quando tentavam mijar. Entre as personalidades encontradas dentro do banheiro masculino, destacam-sea Paula e a Tene (que entraram juntas, suspeito).

2007/08/29

Gostos curiosos

Foto: João Vicente Kurtz/MBB
Nas dependências da livraria da UPF, ao lado do Buffet da Literatura, uma mãe levava seu filho à sessão de livros infantis. No dia anterior, outra mãe abordou um dos atendentes, chocando-o com uma pergunta inusitada: "Meu filho quer comprar livros sobre Hitler!".

Meu Blog Bobo na Jornada de Literatura - segundo dia

Foto: João Vicente Kurtz/MBB
Durante uma das sessões de autográfos da 12ª JornadaONacional de Literatura, o escritor cubano Reinaldo Monteiro não hesitou em nenhum momento para trovar a Tene (ou vice-versa). Mesmo tomando um fora, o autor não pensou duas vezes antes de considerá-la o sex-symbol do evento (confira a história completa abaixo)


Questão de opinião
A Jornada de Literatura, como não poderia deixar de ser, é um espaço extremamente pluralista. Por todos os cantos, podem-se ver pessoas discutindo sobre os mais variados temas dentro da proposta central – e também fora dela -, muitas vezes com opiniões diferentes. Dentro da livraria da UPF, localizada ao lado do Buffet da Literatura, uma discussão acerca da qualidade dos textos de Gabriel Garcia Marques terminou com a seguinte constatação:

Sikora: É o que eu sempre digo: o que é Nobel para uns não é Nobel para outros.

"Já chegamos?"
Algumas das maiores reclamações da equipe de jornadetes da 4ª Jornadinha é sobre a morosidade de certos autores. Durante as conversas nas lonas, eles se perdem em divagações sobre as obras, o que pouco interessa ao jovem leitor. Os escritores que melhor cativaram o público foram aqueles que, ao invés de explicações técnicas, contaram histórias às crianças. Um aluno, não suportando mais a situação, reclamou ao seu professor. A resposta do docente foi surpreendente: "Se tu ta de saco cheio imagina eu!".

Não esqueça de puxar a descarga
Por falar em jornadinha, outro comentário que rola é sobre os professores que praticamente jogam seus alunos no colo das jornadetes para que eles sejam levados ao banheiro. A solução que a equipe encontrou foi aguardar até que se juntem determinado número de crianças para encaminhá-las em grupo. Durante uma das excursões, como side-effect e comic relief, uma menina olhou para a jornadete e, com os olhos brilhando, disse: "eu vou fazer cocô".

Desfalques
Na abertura da Jornadinha, uma das jornadetes parou para descansar depois da correria inicial. Tomou uma bronca tão grande de uma organizadora que foi embora, quase chorando, na mesma hora. Esse desfalque se acumula com outros que a equipe vem sofrendo. Segundo dados não-oficiais, a única lona que contou com o time completo foi a vermelha. Nas tendas azul e verde, faltaram três em cada. Já na lona amarela, sete pessoas não compareceram.

Uma das jornadetes esclarece a situação: "As pessoas se inscrevem e aparecem no primeiro dia para pegar os vales-alimentação e as passagens de ônibus, depois somem. Segunda-feira não faltou ninguém!", desabafa. Outros encarregados do evento contam que, durante o período da manhã, muitas jornadetes caminhavam de um lado para o outro, fingindo que faziam alguma coisa.

Também quero!
Essa deveria ter saído ainda na segunda, mas por algum motivo ficou de fora. A história é que, conta a lenda, um foi visto no Boka reclamando para um colega de legislativo, em alto e bom tom, porque não havia discursado durante a abertura. A síndrome de estrelismo que atingiu o Circo da Cultura foi muito pior na terça-feira.

Cuidado com o charuto!
Em entrevista à rádio 99 UPF, o escritor cubano Reinaldo Antunes não poupou palavras e comparou as jornadetes à preservativos. Nas palavras do próprio autor, elas seriam "instrumentos de sexo seguro". No calor do desabafo, levamos a Tene para conversar com o escritor, no meio da sessão de autógrafos. A conversa começou assim:

Tene: Posso tirar uma foto com o seu troféu?

Depois disso, o papo evoluiu ao ponto do escritor chamar a Tene de "sex symbol da Jornada". Mas bastava caminhar um pouco por ali para encontrar material muito melhor.

Depois do festerê
Um dos comentários da assessoria de imprensa se refere aos jornalistas que deixam lixo na sala de imprensa. Do lado de um dos computadores até uma taça de champagne foi esquecida.


Só para finalizar, mais uma daquelas frases que são engraçadas mesmo sem contexto:

Guilherme: Hoje o dia foi calmo e eu estou tranquil... O QUE É AQUILO?!?!

2007/08/28

Meu Blog Bobo na Jornada de Literatura!

Foto: João Vicente Kurtz/MBB
Na sessão solene de abertura da 12ª JornadaONacional de Literatura, a coordenadora do evento, professora Tânia Rösing, observava cautelosamente o espetáculo que deu início a esta edição. Pouco depois da foto, os atores desceram do palco e quase atropelaram o fotografo.

Além desta foto, existem outras 120, só desse primeiro dia, que juntas formam um material legal para aproveitar. Mais perto do final da jornada, planejamos um especial fotográfico com todas as bizarrices que conseguimos, inclusive a prova definitiva dos poderes ocultos do secretário de habitação, Rene Cecconello. Demorou mas conseguimos.


A entrega do prêmio Zaffari/Bourbon de literatura foi uma surpresa e tanto, pois poucos esperavam a vitória do moçambicano Mia Couto. As informações disponíveis, de fontes ligadas à assessoria de imprensa da UPF - que, por algum motivo desconhecido, lê esse blog -, garantiam a vitória do enrolador português José Saramago. Por outro lado, durante a abertura, rolavam boatos sobre a eventual vitória de Daniel Galera. Sobre este escritor em particular, a dúvida era outra: caso recebesse o prêmio, Daniel Galera subiria no palco sozinho ou acompanhado da gurizada?


Direto da boca do atual presidente da Academia Brasileira de Letras:

Marcos Vinicios Vilaça: Tânia Rösing não é uma pessoa, é um fenômeno natural!

Será que isso explica o Furacão da Literatura?


Como não poderia deixar de ser, nosso terceiro encontro cara a cara com Luis Fernando Verissimo resultou em vitória nossa. Para quem não sabe, temos um longo histórico de duelos de olhares. A eterna luta entre o escritor e o cara que a Karina Rigo diz que parece com ele começou a muitos anos, sendo transmitida ao vivo pela TVE-RS (o pior de tudo é que toda essa bobagem é verdade).


Agradecimentos especiais para as pessoas notáveis que se fizeram presentes no lançamento oficial da jornada, por ordem de lembrança:

- Assessoria de Imprensa da UPF (comentem aqui se sobrar um tempo);
- Secretário de Cidadania e Assistência Social, Paulo "tudo bem guri" Loss;
- Ex-prefeito municipal e parente, tio Júlio Teixeira;
- Escritor, estrela polar e amigo da Kátia Suman, Luis Augusto Fischer;
- Jornalista Giovana S. Carlos (a foto ficou engraçada);
- Mestra Ingrid

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