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2009/10/27

Papo rápido com Paulo Becker

Durante a programação da 13a Jornada, encontramos com o professor Paulo Becker buscando seus filhos dentro do Circo da Cultura. Paulo Becker é um grandes nomes nos bastidores da Jornada, por isso não podíamos perder a oportunidade. Seguimos o professor e a família ao melhor estilo stalker até um lugar onde pudéssemos conversar melhor. Surpreendido, Paulo Becker nos concedeu, ainda que meio confuso, a seguinde entrevista:

jvk: Ano novo, Jornada nova. Como o senhor se sente em mais uma edição da Jornada de Literatura?

Paulo Becker: É uma satisfação ter mais uma edição da Jornada. Nós tivemos muitas dificuldades esse ano, mas ela saiu e eu estou feliz por isso.

jvk: A pergunta que todo mundo faz: como é escrever a música pra Jornada?

Paulo Becker: É uma coleção de temas. Tem influências do século XIX e também do Raul Seixas, misturando o próprio tema da Jornada, que é a relação entre o real e o virtual. Uma verdadeira salada!

jvk: Essas influências revelam mais ou menos como as coisas são hoje em dia? Que tipos de alterações essa culturais e – especialmente – literárias a pós-modernidade trouxe?

Paulo Becker: Acho que não dá pra responder, porque estamos vivendo tudo isso agora. Talvez só as futuras gerações tenham como dizer algo sobre isso.

jvk: Muito obrigado pelo seu tempo, professor.

Paulo Becker: O prazer é todo meu. Alias, eu não te conheço de algum lugar? Tu não fostes meu aluno?

jvk: Sim. Segundo semestre de 2004, Teoria da Literatura I. Naquele ano, durante a Jornada, o senhor autografou dois livros meus1.

Paulo Becker: Que legal!

jvk: Eu reprovei na matéria.

Paulo Becker: Ah...

Notas:
1- em 2004, não houve Jornada de Literatura. O evento em questão ocorreu em 2005.

2007/09/02

A nova dimensão

Foto: João Vicente Kurtz/MBB
Escritor e funcionário público, Júlio Pérez não hesitou em bater de frente contra a Jornada de Literatura

Um senhor alto e calvo adentrou calmamente no Circo da Cultura na noite de quinta-feira. Ele se dirigiu até a praça de alimentação, mas não foi lá para comer, nem para comprar imóveis (o que, se tivesse feito, seria pessoa mais deslocada do recinto). Acompanhado de um amigo, carregou uma mesa e uma cadeira até o outro lado, na entrada do pavilhão onde estão expostas as gravuras de Paulo Caruzo que mostram os autores que já estiveram na JornadaONacional de Literatura em outras edições. Uma vez pronta a estrutura, abriu uma pasta e de lá tirou vários exemplares de um livro. Decorada com relógios, a capa do Expresso instante também estampava o nome de seu autor: Júlio Cesar Pérez. Antes de se sentar, o funcionário público arriscou uma última ousadia: pendurou atrás de si um cartaz pequeno, com apenas duas palavras, mas que diziam muitas coisas: “autor local”. Com o cenário pronto, Pérez se sentou e começou sua batalha solitária contra o formato da Jornada. Mesmo acuado pela organização, não se rendeu e fez valer seu gesto, não só pelos exemplares vendidos. De sua fortaleza improvisada, protegido apenas pela ousadia e pelos amigos que o apoiavam, Pérez concedeu uma pequena entrevista aos meninos do Periódico Central.


Meu Blog Bobo: O que o senhor está fazendo aqui?
Júlio Pérez: Esse é um protesto pela falta de consideração da Jornada de Literatura com os autores locais e regionais. Nós batalhamos pela Literatura e, no entanto, em um evento dessa grandeza, não somos chamados nem é reservado um espaço para o autor local, além de outras críticas. Eu, de maneira nenhuma, quero tirar o mérito da Jornada, que acresce Passo Fundo, colocando a cidade na mídia. Mas, ao mesmo tempo em que se dá atenção ao evento em âmbito nacional e internacional, deve-se voltar ao autor local, ao que se produz na região. Já dizia Tchecov: “se quiseres ser universal, canta tua aldeia”. São 26 anos de Jornada de Literatura e eu gostaria de questionar os organizadores sobre qual escritor a Jornada pode se orgulhar de ter gerado. Qual o escritor que diz “a Jornada me inspirou a ser o que eu sou”? Leitores pode ter gerado. Leitores, mas escritor, que faz e produz arte... Então, eu estou aqui numa iniciativa pessoal. Convidei outros autores, mas por uma razão ou outra eles não tiveram a coragem de estar aqui. Não os desmereço nem os tiro a razão. Inclusive, um deles é professor universitário e até tenta imprimir seus livros pela editora da UPF, mas não tem apoio, só mediante pagamento, então...

MBB: O senhor escreve poesia?
JP: Eu escrevo poesia, mas também estou me abrindo para prosa. A poesia tem um mercado difícil e estou com um romance pronto, que já está com o editor.

MBB: É o seu primeiro livro?
JP: Sim, mas eu também tenho um blog onde divulgo as novas produções, poemas e contos. É lamentável que um evento dessa grandeza não se volte nem estimule o autor, reservando um pequeno espaço para os autores autografarem. A própria Academia Passofundense de Letras não está aqui. A pergunta que eu faço é: não existe afinidade entre eles e a Jornada de Literatura? Um dos motivos para a não liberação dos recursos da LIC foi a não liberação de uma cota de ingressos ou de ingressos subsidiados. Outra coisa: ou você se inscreve em toda a Jornada ou não se inscreve em nada, você fica excluído. Por que não dividir as palestras de forma que as pessoas possam comprar ingressos para aquelas que lhes interessam? O que está acontecendo com a Jornada? Ela está se transformando em um evento de professores, escritores, alunos e leitores, está ficando um negócio masturbatório, sabe. Pô gente, vamos trazer gente de fora! Escritor tem que ser do meio acadêmico? Tem que ser gente de fora, exclusivamente? Eu acho que não! O escritor tem que ser de fora dos muros da academia! Tragam gente de fora! Eu, por exemplo, sou funcionário público, não tenho o ponto liberado como um professor e não posso assistir às palestras durante o dia. E muitos professores que estão aqui, sem desmerecer a classe, estão só pelo certificado, pela pontuação. Fica a questão no ar. O que a gente queria, em relação ao prêmio, é que se categorizasse, com categorias como autor local, autor regional, crônicas, dando a oportunidade de outros tipos de literatura a concorrerem ao prêmio, ao reconhecimento pelo trabalho. Aí dão R$ 100 mil ao Chico Buarque. O que ele tem a ver com Passo Fundo? O cara pega o prêmio, vai embora, não deixa nada pra cidade, enquanto aqui tem muitos que estão batalhando pela cultura local. Posso citar Paulo Monteiro, onde está ele? Onde está o reconhecimento pelos lutadores desta cidade, a Capital Nacional da Literatura?

MBB: Como foi publicar a primeira obra?
JP: Foi uma emoção muito grande. A primeira obra é um divisor de águas, eu me sinto mais motivado a continuar produzindo e criando. Com a publicação, eu deixei para trás uma etapa. Eu precisava criar novamente, para o segundo livro, o terceiro. A primeira obra tem importância porque você tira os guardados da gaveta e dá ao público. Esse que é o legal: você sente a coisa começar a acontecer e isso motiva a continuar produzindo.

MBB: Qual foi o caminho até a publicação?
JP: Eu batalhei muito, tanto é que a primeira publicação foi bancada pelo meu próprio bolso. Eu tive um processo de amadurecimento muito grande, até sentir que estava pronto para publicar. Também é um desafio você sentir que está pronto para a primeira publicação, para dar ao público aquilo que você produziu até o momento.

MBB: Sobre o que são as obras? Qual a inspiração delas?
JP: Tenho muita afinidade com o existencialismo, sobretudo Kafka. Sou apaixonado por Kafka, Sartre. Procuro, na poesia, escrever de forma que o leitor entenda e perca o medo dela. Minha tentativa é convidar o leitor a se aproximar e entrar no poema. Depois que ele está lá dentro, bem, aí eu tenho as minhas surpresas. A primeira parte é o convite, o poema que começa de uma forma simples, no estilo Manoel Bandeira e outro poetas, como João Cabral de Melo Neto, porém sem o hermetismo que Carlos Drummond de Andrade tem em alguns poemas.

MBB: Como foi a decisão de se aventurar no mundo das letras?
JP: Há muito tempo eu despertei para a literatura. Inicialmente, com o gosto pela leitura, que me fez descobrir esse universo. Posteriormente descobri que o meu gosto literário tinha melhorado e comecei a sentir que eu tinha condições de produzir e criar. Eu costumo dizer que criar, escrever, na verdade, é ler por dentro, uma outra etapa. Eu incito os leitores que não se sentem encorajados: escrevam, pensem, ousem escrever! Vocês vão descobrir uma nova dimensão dentro da leitura. Abre-se um mundo, mas além desse mundo, há algo mais: há a criação.

2007/06/13

Garra sobre-humana

É fato conhecido e popular que Bruna Farias é uma mulher de garra, e de garra sobre-humana. Afinal, são poucas as pessoas que aguentam fazer Direito e o Tex roncando. Apesar disso, Bruna possui outras fascetas que ninguém conhece fora do submundo: ela é um milho. Mesmo com todos esses problemas, a pequena Brumilho ascendeu no mundo ao ponto de ser escolhida como consultora jurídica do blog. Nesta entrevista, Brumilho conta as dificuldades que enfrenta para manter todos esses cargos e ainda ser promoter daquela coisinha amarela que, não importa o quanto você mastige, sempre acaba cagando.

(Foto: Na ausência de nosso banco de dados de fotos com pessoas em poses estranhas, tivemos que catar esse boneco engraçado no orkut do Tex)

Meu Blog Bobo: Qual a sensação de ser escolhida como consultora jurídica de um site de humor?
Bruna Farias: Olha, é uma enorme satisfação por saber que estou ajudando o mundo a ser um pouco melhor, já que isto nunca acontece com quem trabalha na área jurídica e afins, pois nosso propósito é sempre foder com a vida de alguém. Se estou ajudando um site de humor que por sua vez irá deixar as pessoas felizes ou, pelo menos, fazer com que esqueçam um pouco suas vidinhas sem graça, já cumpri com o meu propósito. Acredito que, assim como o direito, o jornalismo é um poder independente e, se puder contribuir para esse reconhecimento, ótimo.

MBB: O fato de ter sido aprovado uma nova variedade de milho transgênico significa um aumento na concorrência que você enfrenta, o que por sua vez a levou a se diversificar, atuando em uma área que não é a sua (o jornalismo), embora também tenha como objetivo deixar as pessoas furiosas?
BF: Assim como as pessoas, o milho também evolui. Mas não troco o certo pelo duvidoso e também não aconselho que ninguém o faça, já que desconhecemos os verdadeiros efeitos colaterais da ingestão do novo milho transgênico. O bom e velho Brumilho é o melhor e não tem pra ninguém. Tão versátil, pau pra toda obra, no jornal ou no direito, na pamonha, no pãozinho... Eu me garanto, e sem psicopatologias. Não sabemos do que o novo milho é capaz. Vai de Brumilho que Brumilho dá.

MBB: Quem come Brumilho caga Brumilho ou ele é completamente digerido no estômago?
BF: Ele também limpa o organismo. Assim como entra, ele sai e ninguém pode provar nada, esse ônus não incumbe a Brumilho. Só tem que cuidar com a espiga porque já foi observado que o Brumilho é fácil de entrar. Já para sair é bem diferente...

MBB: Pode-se fazer pipoca com Brumilho?
BF: Pode fazer sim! É só misturar umas seis ou sete cervejas Heinecken trincando de geladas que Brumilho sai estourando por aí.

MBB: Quais os outros produtos derivados do Brumilho?
BF: Além da pipoca, também existe farinha especial, mistura para pães, óleo lubrificante de motores em gel, pastilhas para freio, cera de chão, lenço descartável, pano pra manga, sabonete hidratante líquido, e é claro, o novíssimo Tang sabor Brumilho Cozido, que já é um sucesso em todas as capitais do Brasil. Sem dúvida, um produto muito versátil, não tem pra concorrência.

MBB: Nunca ocorreu de você ser assediada por usar a camiseta amarela do bloco e as pessoas pensarem que você está fazendo top less? Ainda mais porque o nome do bloco é Tira Roupa...
BF: Já aconteceu sim, mas ainda bem que me reconheceram, não é mesmo? Todo mundo quer ser Brumilho mas ninguém sabe como. Brumilho e Tira Roupa possuem um contrato de exclusividade recíproco: eu faço top less (tirando a roupa) e o bloco se veste que nem milho (Brumilho). É uma parceria perfeita, de muito sucesso. Só tem que cuidar com o atentado violento ao pudor, dai é mais complicado. Falando em advogar, este é outro benefício oferecido aos membros do bloco, cujos honorários são pagos através de litro e litros de suquinho gummy. Eu estou a disposição, só entrar em contato.

MBB: Já que você tocou no assunto, o strip da Gabi não atrapalhou os planos de divulgação da marca Brumilho durante o carnaval?
BF: Não. Por mais que o strip da Gabi ofuscasse qualquer outro grão de milho presente na ocasião, já que é de qualidade superior e um tanto transgênica. Continuo defendendo que o milho Brumilho, o mais próximo de um milho original de fábrica, puro e versátil, utilizado em tantos outros sentidos, já foi recepcionado pelo público em geral. Ninguém ganha do conservadorismo do mercado.

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